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Portagens: Jovens socialistas portugueses e espanhóis preocupados com Autoestrada Transmontana
25-07-2010
Representantes das juventudes socialistas de Bragança e Zamora manifestaram hoje “preocupação” com a possibilidade de a Autoestrada Transmontana poder ter portagens, por considerarem “prejudicial” ao desenvolvimento das duas regiões fronteiriças do interior de Portugal e Espanha.

“Não seria bom ter de pagar para vir a Bragança”, disse Ismael Aguado Ferreira, secretário geral do agrupamento provincial de Zamora da JS, num encontro que junta este fim de semana em Quintanilha (Bragança) jovens socialistas dos dois lados da fronteira.

A nova rodovia portuguesa já em construção resultará da duplicação do IP4 que liga os dois países, em Quintanilha.

Os espanhóis têm em projeto também a transformação da “carretera” 122, por onde circula atualmente o trânsito, em autoestrada sem custos para o utilizador.

Porque em Espanha não vão pagar, o jovem socialista de Zamora disse que do lado de lá estão “preocupados com a possibilidade de poderem ter de pagar em Portugal”.

“Não é lógico ter de pagar uma estrada que sirva as pessoas de uma zona pobre, deprimida como é Bragança e Zamora, zonas do interior que têm menos gente”, defendeu.

As portagens motivariam um afastamento das duas regiões também na opinião do coordenador da concelhia da JS de Bragança, Nuno Miranda.

“As portagens poderão ser um erro porque nós sabemos das dificuldades que temos e apostamos forte na autoestrada para conseguir melhorar a nossa qualidade de vida, atrair mais investimentos e as portagens poderão eventualmente afastar isso”, considerou.

O jovem socialista português espera que o país consiga “criar aqui algum instrumento para resolver esta situação evitando as portagens”.

As duas estruturas regionais têm o apoio do secretário geral da JS, Pedro Delgado Alves, defensor do “princípio da discriminação positiva” quer em matéria de transportes rodoviários quer noutros aspetos, que podem passar por canalizar investimento público e outro para esta região”.

“É indispensável existir correção de assimetrias regionais por força dos poderes públicos”, considerou, lembrando que “a razão de ser das SCUT assentou precisamente nessa realidade”.

“Infelizmente estamos num momento em que a escassez de recursos não nos permite ser tão generosos quanto no passado e, portanto, tem de se arranjar um bom que não será o ótimo que continue a acautelar, ainda que não da mesma forma, as situações pontuais, particularmente as da interioridade que merecem um tratamento diferenciado”, declarou.

O secretário geral da JS, recentemente eleito, falava no encontro que serve para as juventudes socialistas dos dois lados da fronteira “aprofundarem relações” e conhecerem o funcionamento das estruturas partidárias e do poder político nos dois países.

Embora com realidades políticas diferentes, partilham “dificuldades comuns”, por serem “regiões do interior esquecidas pelos poderes centrais, com populações envelhecidas, territórios despovoados e poucos jovens”.

HFI

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

Lusa/fim

I Encontro Transfronteiriço da Juventude Socialista

 

O parque de campismo do Colado, na aldeia de Quintanilha acolheu no passado fim-de-semana o I Encontro Transfronteiriço das Juventudes Socialistas de Bragança e de Zamora. O objectivo deste encontro, para além de proporcionar o mútuo conhecimento dos jovens, visou concertar posições acerca de políticas europeias, conhecer as diferenças da estrutura política de Portugal e Espanha e debater os problemas comuns como são o despovoamento e a falta de emprego nestas regiões.

 

Os jovens de Bragança e de Zamora debatem-se com problemas idênticos, como são o despovoamento e a falta de emprego. “A situação económica é muito parecida. Falta indústria, emprego e há um esquecimento dos poderes centrais”, afirmou Ismael Ferreira, da JS Zamora.  Segundo o  jovem líder espanhol, a regionalização, só por si, não resolve os problemas, se a região seguir uma política de direita, tal como acontece em Castela e Leão. Por outro lado, Ismael Ferreira deu o exemplo da política da região espanhola da Estremadura, em que se deu um apoio concreto a empresas, ao emprego, às cooperativas, aos núcleos rurais e aos produtos de qualidade da região, como um bom exemplo. “Apostaram pela terra e não se apoiou só as cidades, o urbano”, disse.

 

Os jovens usaram o fim-de-semana para se conhecerem e falarem acerca da organização política diferente de ambos os países, um dos quais é uma república, que não tem regionalização, e o outro é uma monarquia, com regiões autónomas. “É uma questão de aprofundarmos mais este tipo de encontros e daí para a frente, um tema em que seja importante assumirmos uma posição pública, as duas estruturas, conseguirmos chegar a esta base de encontro, de entendimento”, explicou Nuno Miranda, líder da JS de Bragança.

 

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