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Almeida: 200 anos da Batalha do Côa comemoram-se sábado
23-07-2010
Os 200 anos da Batalha do Côa são comemorados este sábado. O alheamento da Presidência da República e do Governo irrita o presidente da autarquia que garante tratar-se de de um marco tão importante como as comemorações da República.
O concelho de Almeida e, sobretudo Vilar Formoso, assume uma posição estratégica e potenciadora de investimentos, tendo em conta a proximidade com Espanha e, naturalmente, com o resto da Europa. Sobretudo numa altura em que se fala de introdução de portagens nas SCUT e no aumento dos combustíveis.

Esta é a opinião de António Batista Ribeiro, presidente da Câmara de Almeida, que considera que “a posição, sobretudo de Vilar Formoso, neste contexto, é favorável à fixação de empresas principalmente as que se direccionam para a exportação”.

O edil sublinha, porém, que “o investimento na área social e na cultura e a aposta nas pessoas são de primordial importância”.
“O município de Almeida investiu, nos últimos quatro anos, mais de 10 milhões de euros anuais na criação de infra-estruturas básicas e de acessibilidades, apesar de receber de transferência do Estado cerca de sete milhões de euros”, explica.

António Batista Ribeiro está preocupado com o “esvaziamento do interior, sempre que se retiram postos da GNR, Serviços de Atendimento Permanente (SAP), se encerram escolas e acabam organismos e serviços”. “Estas medidas não ajudam a que as pessoas se fixem, venham para esta região que tem potencialidades e capacidades, valores humanos e culturais e onde há qualidade de vida”, lamenta.

Na sua opinião, “o país tem de ser repensado de forma diferente” e sublinha que existe uma “certa deformação da visão política do Governo face ao interior que urgentemente tem de ser revista”.

No caso do município de Almeida, António Ribeiro reconhece que a autarquia gera “poucas receitas, porque também recebe pouco do que são os impostos próprios e também porque optou por conceder alguns benefícios fiscais, nomadamente a redução de três por cento do IRS, não cobrar derrama e ter o IMI mais baixo e taxas de licenças”. “Tudo isto fez com que fossem arrecadados cerca de meio milhão de euros a menos relativamente ao ano anterior”, reforça o autarca.

Defensor da regionali-zação do país, sem contudo apontar um modelo, não hesita em afirmar que “as autarquias têm sido o motor que ainda dá vida nas zonas do interior e têm feito um trabalho fundamental para a coesão social, criação de infra-estruturas e de condições para que as populações tenham qualidade de vida”.

Venha a regionalização


António Ribeiro defende a adopção de “políticas de discriminação positiva, com criação de incentivos às empresas para que se fixem no interior”, sustentando que esses apoios “devem ser diferenciados na região. Não podem ser iguais, por exemplo, aos concedidos para Viseu ou outras cidades do litoral, porque há aqui especificidades distintas”.

O autarca afirma temer que “os objectivos do QREN não sejam cumpridos”, porque, frisa, “a taxa de execução não chega aos nove por cento passados quatro anos do início do programa”.

E salienta, a propósito, a “burocracia do QREN quando falam do choque tecnológico e da desburocratização”. “Vivemos actualmente num sistema mais complicado do que aquando do III Quadro Comunitário de Apoio”.


Realçou, porém, o esforço de desenvolvimento que o município de Almeida tem realizado, sobretudo na criação de equipamentos, como foram os casos das Termas da Fonte Santa, arruamentos em Vilar Formoso e outras localidades do concelho, construção do Centro Cívico e arranjos urbanísticos”.

O autarca entende que “deveria haver uma atitude diferente face aos municípios e que devia definir-se uma estratégia para o interior, deslocalizar os serviços e criar incentivos”.

“Venham as regiões e a regionalização e, certamente, os recursos serão mais e melhores”, expressou.

António Ribeiro não tem dúvidas de que o interior “só teria a lucrar com a regionalização” e garante que, no actual contexto, “Vilar Formoso tem de facto uma posição estratégica, até por ser a maior fronteira terrestre do país a ser servida por auto-estrada e linha férrea”.

Presidência da República e Governo “alheios”


Em tom de crítica, o autarca lamenta que a linha férrea esteja electrificada do lado português e que os espanhóis não o tenham feito.
No ano em que se assinalam os 200 anos do Cerco da Praça Forte Abaluartada de Almeida e da ocorrência da Batalha do Côa, que opôs forças francesas de Massena e tropas anglo-lusas, o presidente da Câmara Municipal de Almeida sente-se “magoado” com o facto destes momentos históricos, que foram determinantes para a independência de Portugal, não terem o envolvimento da Presidência da República e do Governo, à semelhança do que acontece com as celebrações do centenário da República”.

“As invasões francesas, apesar de tudo, deixaram uma marca ideológica importante e, quando este ano se vivem os 200 anos da invasão, esta data representa também 200 anos de História”, sublinha.

António Ribeiro explicou que as comemorações programadas foram encetadas pelo município de Almeida, em colaboração com o Exército Português e Grupo de Recriação Histórica de Almeida, com o apoio do Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal”.

A evocação da Batalha do Côa compreende a inauguração de um Memorial aos Mortos, no local da batalha, a pouca distância de Almeida, e um conjunto de iniciativas várias. É aberta ao público a exposição “A defesa de Lisboa: A arte e o engenho de fortificar que pararam Massena” (Museu Histórico Militar de Almeida), seguido do colóquio “O Combate do Côa” com intervenções do general Gabriel Espírito Santo, Manuel Amaral, tenente-coronel Nuno Lemos Pires e Gabriela Gândara Terenas.

Na altura, será lançado o livro “A Divisão de Infantaria Ligeira no Combate da Ponte do Côa”, de autoria do general Gabriel Espírito Santo.

“Estamos a honrar a História e a memória de Almeida e de Portugal”, remata o presidente.

José Domingos \ asbeiras.pt



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